quinta-feira, 14 de março de 2013

Argentino Jorge Mario Bergoglio é o primeiro papa latino-americano

Bergoglio de 76 anos, era arcebispo de Buenos Aires. Novo Pontifice se chamará Francisco.

O novo papa vem da maior ordem da Igreja, a dos jesuítas, e da tradição de sair dos palácios episcopais e trabalhar nas ruas.
Jorge Mario Bergoglio costuma ser descrito como o típico jesuíta: altamente intelectualizado, austero, dedicado aos pobres e inflexível em questões dogmáticas, que o levaram duas vezes a opor-se a governos argentinos.
A primeira, na década de 1970, durante a sangrenta ditadura militar. Então provincial (líder) dos jesuítas no país, Bergoglio negociou diretamente com os generais a libertação de dois jesuítas sequestrados por órgãos de segurança.
Mais tarde, injustamente, foi acusado de colaboração com o regime. Quase 30 anos depois, arcebispo de Buenos Aires e chefe da Igreja argentina, Bergoglio tornou-se, nas palavras do então presidente Nestor Kirchner, o verdadeiro chefe da oposição, por defender, em uma série de fortes discursos, que os pobres na Argentina estavam se tornando cada vez mais pobres, ao contrário da propaganda oficial.
Bergoglio conhece bem a realidade das classes menos favorecidas no país, onde nasceu filho de um imigrante italiano, de Turim, e uma governanta. Achava que seria químico e chegou a entrar em um colégio técnico, quando, aos 21 anos de idade, descobriu a vocação religiosa. Ingressou em um seminário jesuíta, formou-se em filosofia, dava aulas de literatura e psicologia. Estudou teologia na Alemanha.
A partir dos 33 anos, fez rápida carreira na famosa ordem dos Jesuítas, a Companhia de Jesus, fundada pelo santo Ignácio de Loyola, e conhecida como a milícia do Papa.
A ordem chegou a ser dissolvida no século XVIII e quase foi abolida novamente por João Paulo II, descontente com o papel dos jesuítas na linha de frente da Teologia da Libertação. Como arcebispo e cardeal de um país latino-americano, Jorge Bergoglio ficou distante das comunidades de base, fundadas pela Teologia da Libertação.
Sempre insistiu, porém, no que tornou os jesuítas uma ordem internacional, espalhada por 112 países, com quase 20 mil soldados, como os jesuítas se definem: insistiu na evangelização nas ruas, nas comunidades pobres, diretamente entre os necessitados.
De rival de Bento XVI no conclave de 2005, o cardeal argentino se tornou um importante aliado. Representava uma das regiões, a América Latina, onde o catolicismo continua forte e não tinha nada a ver com a burocracia da Cúria Romana.
Bento XVI, dois dias antes de deixar o cargo, em um gesto cujo significado agora se entende melhor, nomeou Bergoglio para o topo da Conferência Episcopal Latino-Americana. Com Bergoglio, os soldados do Papa ocuparam o cargo do Papa, com a ordem mais aguerrida, famosa por trabalhar nas ruas, na linha de frente, acostumados a marcar o caminho.

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