O Governo do Estado do Rio Grande do Norte está concluindo, através da
Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência
Social-Sethas, o programa de cisternas na região do Alto Oeste Potiguar.
Parte dos reservatórios já conta com uma pequena quantidade de água
armazenada, graças às chuvas, ainda que de baixa intensidade, que caíram
na região durante o mês de fevereiro, mas não garante, pelo menos até o
momento, a dispensa do caminhão pipa. As poucas chuvas não bastaram
para encher os reservatórios. Com capacidade total para 16 mil litros,
eles captaram menos de ¼ de água.
"Aqui sempre choveu pouco, mas
esse ano está pior. A última chuva foi no dia 17 (fevereiro). De lá para
cá não choveu mais", lamenta o agricultor familiar, Marcelino Caitano,
da comunidade Caititu, na zona rural do município de Luís Gomes.
"Como
não choveu muito a gente tem que poupar esse pouquinho que deu para
juntar", explica a aposentada Maria de Lourdes Soares, da localidade
Baixas, também no município de Luís Gomes, na região do Alto Oeste
Potiguar, um dos mais castigados pela estiagem. Lá, a água é escassa e o
acesso para se chegar ao pequeno povoado é difícil.
Aliás, foi
justamente essa dificuldade de acesso um dos critérios para que a
pequena localidade, onde vivem 28 famílias, entrasse no Programa
Nacional de Cisternas (P1MC), do Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome-MDS.
O secretário estadual de Trabalho e
Assistência Social, Luiz Eduardo Carneiro Costa, esclarece que o
programa de cisternas, o maior já executado no Rio Grande do Norte, não é
uma ação emergencial para a estiagem. "Trata-se de uma ação permanente
de convivência com a seca. São reservatórios de alvenaria e que servem
para o armazenamento de água das chuvas por muitos anos", explica.
As
famílias beneficiadas pelo programa de cisternas foram pré-selecionadas
pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O programa é
fruto de um convênio entre o Governo do Estado do Rio Grande do Norte,
através da Sethas, e o Governo Federal, por meio do MDS.
Foram
priorizadas pelo programa, as famílias inscritas no Cadastro Único da
Assistência Social (do Governo Federal) e residentes em localidades
rurais onde o acesso a água é mais difícil. Para que o programa pudesse
ser executado no Rio Grande do Norte, o Governo do Estado, através da
Sethas, precisou fazer um desembolso de R$ 1,5 milhão, como
contrapartida financeira.
Para Damião Santos, coordenador do
projeto pelo Seapac, instituição que venceu a concorrência pública
realizada pela Sethas para a execução do programa no Estado, o mais
importante para essas pessoas é saber que "agora, quando as chuvas
vierem, em qualquer tempo, eles terão água armazenada, em um
reservatório apropriado, durante o ano todo, na porta de casa", reforça.
Na
região do Alto Oeste, 14 municípios foram contemplados: Luís Gomes,
Paraná, Marcelino Vieira, Venha Ver, Coronel João Pessoa. Segundo Damião
Santos, em duas semanas todas as 1.301 cisternas previstas para a
região estarão concluídas. Ele informa que 120 homens - parte deles,
moradores da própria região - trabalham na construção dos reservatórios.
No total, o programa prevê, até o final de junho, a construção de 3.100
cisternas de alvenaria em 47 municípios potiguares.
A cisterna
de placa é uma tecnologia popular para a captação de água da chuva. A
água que escorre do telhado da casa é captada pelas calhas e cai direto
no reservatório, onde fica armazenada. Com capacidade para 16 mil litros
de água, a cisterna supre a necessidade de consumo de uma família com
cinco pessoas por um período de estiagem de, aproximadamente, oito
meses.
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